Diário da Consciência (Śuddha Pañjikā)

 Diário do Iogue em Śuddha Yoga
Iogue em Śuddha Yoga
Śuddha Pañjikā indica aquele diário da consciência onde os Śuddha Yogis refletem sobre as ações sob o prisma sintético de śraddhā (a luz do coração que ilumina e dá foco à razão; a convicção íntima e o ardor da energia do amor universal em ação), que se assenta no tripé de Jñāna (conhecimento), Bhakti (vontade e devoção) e Karma (ação).

Jñāna implica na capacidade de ver o sagrado em tudo na vida e de distinguir, a cada passo de nossa jornada, o real do irreal, os nossos anseios superiores (śreyas) daqueles de nosso corpo emocional (preyas). Bhakti implica na capacidade devocional de se decidir desinteressadamente pela verdade e pelos desejos legítimos e superiores (śreyas) ao invés daqueles meramente prazerosos (preyas). Muitas pessoas pensam que os seus desejos, simpatias e antipatias são elas próprias, daí ser difícil desenvolver a devoção, o desapego e, consequentemente, a autêntica Bhakti. Por fim, Karma refere-se à atividade humana. Há seis pontos que qualificam a atividade humana em termos de boa conduta: (1) Domínio da Mente; (2) Domínio da Ação; (3) Tolerância; (4) Contentamento; (5) Foco e Perseverança (unidade de direção para o fim visado); e (6) Confiança e Convicção Interior.

(1) Domínio da Mente significa ter a capacidade de manter o pensamento sempre calmo e sereno, evitando que os nervos se tornem irritáveis. Tristezas, doenças, perdas – nada deve ser motivo para se perder a calma mental. (2) Domínio da Ação significa que o pensamento deve traduzir-se em ação. (3) Tolerância nasce da compreensão. É a qualidade fundamental para se ajudar ao próximo e trabalhar pelo bem coletivo. (4) O Contentamento com tudo o que a vida nos reserva nos lembra da perfeição do plano cósmico. (5) Foco e Perseverança significam cumprir o mandamento universal: “O que quer que faças, faze-o de boa vontade, como sendo para o Senhor e não para os homens”. (S. Paulo: Colossenses 3:23) (6) Confiança e Convicção Interior são qualidades que se traduzem como śraddhā, a característica fundamental do ser humano, que o define e qualifica em conformidade com a sua conduta.

Dizia-se na antiguidade védica que Pañjikā representava o registro das ações humanas mantido pelo Senhor da Morte, Yama. Atualmente, nos círculos mais internos do Śuddha Dharma, considera-se que Pañjikā representa, em sua essência (Śuddha), o registro dos distintos conceitos abstraídos da realidade concreta que estimulam os diálogos da consciência no limiar do processo de convergência para o Ser, conhecido como Brahma-sāmīpya.

Esta versão online do diário dá sequência ao Śuddha Pañjikā manuscrito a partir da primeira visita ao então embrionário núcleo do Śuddha Sabhā Ātma em 1979. Em 1994 o diário toma a forma digital e agora em 2016 alcança a plataforma dos blogs, centrando-se no entendimento sintético de que, a não ser que se consiga expressar de forma amorosa, verdadeira, devotada e útil, o melhor é nada dizer.


Em suma, a função deste Diário da Consciência é dar expressão à decisão definitiva -- ANANTA-HE (“Para sempre, com certeza!”) -- de se deixar orientar pelo sentimento de certeza interior (śraddhā) e de participação na Consciência Universal, planetária, ecológica, holística e sistêmica que a todos nos regula de maneira unívoca e imparcial.

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Rio de Janeiro, 03.09.16
(Atualizado em 24.05.17)

 (Saṁjñā-artham)