Prática de Meditação: As Três Dhyānas

Esta prática assenta-se no princípio da unidade essencial (śuddha) de todo o fenômeno religioso   (dharma), conforme descrito por Hamsa Yogi no Sanātana Dharma Dīpikā e também no seguinte grupo de cinco shlokas do seu estudo introdutório da Bhagavad Gtīā (Upodhgāta, p. 72), conhecido como MANIFESTO ŚUDDHA.
Bhagavan Das: profundo estudioso do Śuddha Dharma.  Pioneiro nas discussões sobre a unidade essencial das religiões. Autor, dentre outros livros, do seminal Essential Unity of All Religions (1932).
Esta prática assenta-se no princípio da unidade essencial (śuddha) de todo o fenômeno religioso   (dharma), conforme descrito por Hamsa Yogi no Sanātana Dharma Dīpikā, no Sanātana Dharma Sūtras (p. 64)  e também no seguinte grupo de cinco shlokas do seu estudo introdutório da Bhagavad Gtīā (Upodhgāta, p. 72), conhecido como MANIFESTO ŚUDDHA:

1. आजन्माऽमरणं यच्च शास्त्रं वै मनुजान्पुनः।
यथादेशं यथाकालं यथावस्थं च शिक्षयेत्॥
ājanmā'maraṇaṁ yacca śāstraṁ vai manujānpunaḥ.
yathādeśaṁ yathākālaṁ yathāvasthaṁ ca śikṣayet.
Aquela Ciência Sagrada que deve ser disponibilizada para todas as pessoas desde o nascimento até a morte, de acordo com as vicissitudes de lugar, tempo e circunstâncias.

2. धर्मं सनातनं शुद्धं प्रथ्यक्षं सार्वलौकिकम्।
समभावैक्यफलदमिहाऽमुत्र च शङ्करम्॥
dharmaṁ sanātanaṁ śuddhaṁ prathyakṣaṁ sārvalaukikam.
samabhāvaikya/phaladam/ihā'mutra ca śaṅkaram.
Cujo princípio regente (dharma) é eterno (sanātana), puro (śuddha), realizável, universal, frutífero e auspicioso aqui, agora, e sempre, outorgando a suprema paz da fraternidade.

3. तद्धि शास्त्रं महात्मानो गीतेत्याहुर्विचक्षणाः।
न वैष्णवमिदं शास्त्रं न शक्तं न च शांभवम्॥
taddhi śāstraṁ mahātmāno gītetyāhurvicakṣaṇāḥ.
na vaiṣṇavam/idam śāstraṁ na śaktaṁ na ca śāṁbhavam.
É aclamada pelos Mahatmas como a ciência de que trata a Bhagavad Gītā.
Esta Ciência Sagrada não é exclusivamente vaishnava, nem shakta, nem shambava***.

4. न बौद्धं न च काणादं न साम्ख्यं न च यौगिकम्।
न तन्त्रं नैव वेदान्तं विशेषसमयं न च॥
na bauddhaṁ na ca kāṇādaṁ na sāmkhyaṁ na ca yaugikam.
na tantraṁ naiva vedāntaṁ viśeṣasamayaṁ na Ca.
Nem budista, kanada, samkhya, ou yóguica, 
Nem tantra, vedanta, ou qualquer outro credo em particular.

5. शुद्धं च तदिदं शास्त्रं स्तुवन्ति पूर्वसूरिणः।
तस्मात्संसारिभिर्नित्यं संसेव्यं तदिदं भुवि॥
śuddhaṁ ca tadidaṁ śāstraṁ stuvanti pūrvasūriṇaḥ|
tasmātsaṁsāribhirnityaṁ saṁsevyaṁ tadidaṁ bhuvi||
Os antigos Videntes exaltam esta Ciência Sagrada como oniabarcante e pura. Portanto, ela pode ser seguida por todos aspirantes do mundo.

Bhagavān Nārada 

*** Śiva é conhecido como Śāṃbhu (aquele que existe como felicidade e bem-estar);  sua esposa, Śāṃbhavī. Os devotos de Śiva são chamados śambhavās (shambavas).

Prática de Śuddha Raja Yoga

(Das Noures do Siddha Hamsa Yogi)

PREPARAÇÃO INICIAL
O Nosso Roteiro para a prática de Meditação conhecida como As Três Dhyānas

Não é necessário pertencer a nenhuma instituição religiosa, nem saber sânscrito e conhecer a Bhagavad Gītā, para compreender e praticar meditação. Meditação, por excelência, é uma atividade individual. As práticas coletivas, conforme introduzidas pelo budismo, por exemplo, atendem melhor aos iniciantes e àqueles com dificuldades para encontrar tempo e motivação para a meditação individual. Daí a importância do Sangha (comunidade), uma das três jóias do budismo, dos Ashrams e dos Núcleos de Estudos, que, ao estimularem as práticas coletivas, motivam e fortalecem os seus membros.

Não há consenso, nem é simples definir de forma abrangente o que seja a meditação. Contudo, nenhuma prática de meditação é digna deste nome se ela não promover o sentimento de amor e de pertencimento à fonte universal de vida do universo. Não pode ser chamado de meditação nenhum processo que não tenha o amor como a sua base e o seu fundamento. O amor é a lei universal e a base da meditação. O amor e a compaixão acalmam e regulam, naturalmente, a nossa respiração. Representam a verdadeira "técnica" de respiração das práticas de meditação. Daí que todas as técnicas de respiração, simplesmente, são de pouca ajuda, se não estiverem associadas ao sentimento de amor e compaixão.

Meditar, em essência, significa aquietar o pensamento e vibrar nesta frequência de amor puro da energia cósmica (Brahma-śakti) de onde surgiu o universo e que nos unifica à nossa transcendente origem. Nesse sentido, não é algo totalmente estranho à cultura ocidental. Pelo contrário, representa o ensinamento simbolizado no primeiro dos Dez Mandamentos da tradição judaico-cristã. Como exemplo temos o esforço de Jesus para restabelecer o ideal de sintonia com a fonte de onipotente poder de onde procedem todas as formas de Vida, e que o levou a dizer, "eu e o Pai somos Um". Meditação é um estado de silêncio interior. O Senhor Buda alcançou a iluminação praticando esse silêncio interior conhecido no zen budismo como Zazen (za=sentar; zen=meditação).  Sentar-se em silêncio e diminuir todos os estímulos externos, até que tudo desapareça e fique apenas o sentimento de amor que nos conecta à todas as formas de vida. Enquanto Krishna sintetiza a ciência da meditação na Bhagavad Gītā e Buda busca vivê-la na prática, adaptando-a e popularizando-a pelo oriente; Jesus, ao promover a ciência do amor, pavimenta, aos poucos, as vias para que as práticas contemplativas e de meditação cheguem, no devido tempo, também ao ocidente. Há muitos enfoques para se acessar a essência comum do pensamento que fundamenta as distintas práticas de meditação.  Originalmente, o conceito de meditação não se confunde com o conceito de contemplação amorosa de uma "pessoa" divina (formulado no ocidente), e sim de um "princípio inteligente e sagrado" (Brahman) de "regulação amorosa da ordem cósmica" (dharma) e presente em nós mesmos.

Meditação é algo que se desenvolve e se aprimora não apenas com a prática desta ou daquela técnica, mas, principalmente, a partir de nossa própria reforma interior. Antes do nosso compromisso com esta reforma, não faz muito sentido se falar em meditação. Além disto, com o tempo e a prática, todas as técnicas iniciais e os distintos tipos de meditação tornam-se uma mesma coisa. Chega o momento em que o recolhimento dos sentidos dos objetos exteriores para o único foco passa a revelar a presença do sagrado.  Somente então pode-se dizer que se desenvolveu, de fato, a capacidade de entrar em estado de meditação.

Meditar é como dormir acordado, mas fazendo emergir o observador, a amorosa testemunha. Significa recolher-se para o interior de si mesmo em estado de vigília, até que, cessando os movimentos da consciência, a batida do seu coração vibre naquela frequência amorosa do OM (AUM) -- a representação, por excelência, da meditação pura e transcendental e que contém, em si mesma, a centelha, ou a semente, dos três níveis, ou aspectos da realidade, onde se oculta a ciência da meditação (A-U-M):

A - representa a Nirguṇa Dhyāna, ou meditação no aspecto imanente e de natureza subjetiva da realidade sagrada, presente em tudo e em todos sob a forma do Espírito Universal, ou Ātman;

U - representa a Saguṇa Dhyāna, ou meditação no aspecto imanente e de natureza objetiva do sagrado, manifestado, em grandes seres e líderes religiosos como Krishna, Buda, Jesus e outros;

M - representa a Śuddha Dhyāna, ou meditação transcendental, que tem por objeto a natureza não manifestada de Brahman, a qual só nos referimos por negações (neti, neti), uma vez que sobre esta natureza nada se pode afirmar, a não ser que dela resulta a Brahma-śakti, a energia que representa a fonte de amor cósmico de onde surgiu o universo.

A mente prende-se a uma e outra coisa. Faça com que ela se prenda UNICAMENTE ao sagrado, afirmam os textos religiosos das mais distintas tradições. Deixe a mente executar todas as ações como um instrumento desse Sagrado e entregue ao Sagrado também o êxito ou o fracasso, a perda e ou ganho, o júbilo e mesmo o eventual desânimo. Este é o segredo último contido na Bíblia, na Torah hebraica, no Corão, nos Jatakas do budismo, na Bhagavad Gītā e também em vários textos e rituais, tanto de nossos ancestrais como das mais distintas culturas e tradições.  Daí o ensinamento, tantas vezes repetido, de que devemos cuidar de “Orar e Vigiar”. Podemos começar pelas pequenas coisas, por exemplo, evitando as palavras néscias. Todos os grandes seres nos ensinaram sobre esta forma de jejum. Sim, há o jejum de alimentos, há o jejum de palavras (silêncio) e, por fim, o jejum de pensamentos. O jejum de pensamentos leva ao esvaziamento e harmonização da caixa preta que é a nossa mente e, logo, à aproximação de nós mesmos e aos três aspectos, ou fases, da meditação: Saguṇa Dhyāna, Nirguṇa Dhyāna e Śuddha Dhyāna.


ORIENTAÇÕES

[Contagem do tempo: 00 min]

INÍCIO (Sete toques no gongo. A voz firme, forte, clara, harmoniosa e agradável. Deixar certo intervalo entre cada frase, para que todos tenham tempo de assimilá-las.)

Em nome do Espírito Universal, damos início à prática de meditação. Sentados em uma posição confortável, com a coluna ereta e o corpo totalmente relaxado, fechemos suavemente os nossos olhos e realizemos três respirações, suaves e profundas, soltando todo o ar dos nossos pulmões.

(Três toques suaves no gongo)

1. Oração para o Bem Estar Universal

औं नमः श्रीपरमर्षिभ्यो योगिभ्यः।
शुभमस्तु सर्वजगताम्॥
auṁ namaḥ śrīparamarṣibhyo yogibhyaḥ.
śubhamastu sarvajagatām.
OM, Saudações aos Grandes Rishis e Yogis.
Que haja bem estar em todos os mundos e planos.
समस्तसिद्धिसंपन्नहर्देश्वरपुरस्त्वहम्।
प्रार्थये सर्व लोकेभ्यः शुभं नित्यं भवत्विति॥
samasta/siddhi/saṁpanna/hardeśvara/purastvaham.
prārthaye sarva lokebhyaḥ śubhaṁ nityaṁ bhavatviti||
Invocamos a graça do Soberano Morador do coração, de infinita realização,
para que o bem estar eterno floresça em todos os mundos.

2. Gāyatrī Mantra

Oṃ tát savitur váreṇyaṃ
bhárgo devásya dhīmahi
dhíyo yó naḥ pracodáyāt***
OM. Saudamos (vareṇyaṃ) o Para Brahman (Tat), possuidor de efulgência cósmica (savitúr). Meditamos (dhīmahi) com a mente fixa e absorta (dhíyo yó naḥ) na divindade (devásya), para que ela possa nos inspirar (pracodáyāt) e iluminar (bhárgo).

*** SHABDA-ARTHA. A gāyatrī tem três versos de oito sílabas cada, perfazendo o total de 24 sílabas. Não consta da gāyatrī no texto do Rigveda Samhita o verso bhūr bhuvaḥ svaḥ (plano físico, plano entre o sol e a terra e paraíso). Para incluir este verso, as versões contemporâneas do Gāyatrī Mantra deslocam o OM e substituem o tríssílabo vareṇyaṃ pelo quadrissílabo vareṇiyaṃ, de mesmo sentido. 

(Três toques suaves no gongo)

[Contagem do tempo: 5 min] 

3. OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA (Ājñā Chakra: ponto de encontro de  Iḍā e Piṅgala, onde termina a dualidade) (duração média: 5 min )

O mantra OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA conota, de forma sintética [como um arquivo zipado], toda a ciência da meditação de que trata a Bhagavad Gitā, onde Arjuna e Krishna representam, respectivamente, o par Nara-Nārāyaṇa. Nara designa o ser humano e Nārāyaṇa o Ser Imutável, que é a expressão do sagrado. Deste modo, o mantra OM NAMO NĀRĀYANĀYA nos remete à primeira referência à ciência da meditação, feita no Ṛigveda (1.164.20):
Dois pássaros com belas asas, companheiros inseparáveis, encontraram refúgio e abrigo na mesma árvore. Um deles se alimenta dos doces frutos da figueira; o outro, sem se alimentar, apenas observa... 
Esta passagem em forma da metáfora relaciona a Pessoa Humana com o Sopro Universal que a Anima. Ela reaparece na  Māntrika Upaniṣad (Upaniṣad do praticante de mantras), logo em seu verso de abertura, e também na seminal Muṇḍaka Upaniṣad (3.3.1). Ela nos traz à consciência a imagem de que os seres humanos são seres divididos interiormente e que buscam o despertar de um processo psicológico de individuação.

O mantra OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA, portanto, nos conecta com as origens e a história de como a Ciência da Meditação ressurge revitalizada na Bhagavad Gitā. Além disto, ele nos prepara para a meditação, propriamente dita. Ao pronunciar a primeira sílaba, OM, devemos imaginar que estamos dentro do Espírito Cósmico que, por sua vez, está dentro e fora de nós, compenetrando o Universo Infinito. NAMO indica rendição e a expressão NĀRĀYANĀYA indica a NĀRĀYANA, o Ser Imutável, como o objeto de nossa rendição plena de felicidade.

OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA, deste modo, refere-se à atitude mental de entrega ao aspecto de ĀTMAN que representa o Ser Imutável, que reside internamente a nós mesmos, como externamente, na pessoa dos grandes seres de nossa devoção. Como se dá esta atitude mental de entrega? Tomemos como um exemplo a seguinte cena: um garoto, perseguido por um animal selvagem, grita por auxílio. Logo vê os pais e corre para os seus braços, entregando-se à proteção deles. Já não corre, nem se esforça em combater o animal; ele se entrega plenamente à destreza dos pais e, seguro da sua proteção, sente a alma cheia de felicidade. Do mesmo modo deveremos fazer agora, enquanto entoamos em voz baixa e suave este mantra.

 Repitam: OM NAMO NĀRĀYAṆĀYA (54x)

(Três toques suaves no gongo)

[Contagem do tempo: 10 min] 

4. Saguṇa Dhyāna (Ājñā Chakra: ponto de encontro de Iḍā e Piṅgala, onde termina a dualidade) (duração média: 5 min)

1. Sentados confortavelmente, com a coluna vertebral ereta.
2. Os olhos e a boca suavemente fechados.
3. O corpo relaxado, sem a menor contração muscular.
4. Esqueçamo-nos de todas as preocupações mundanas.
5. Plenos de felicidade, unificamo-nos mentalmente com o glorioso resplendor do Ser, ou da pessoa divina e santa, objeto de nossa devoção.
6. Com a respiração bem suave, absolutamente tranquila, sem nenhum esforço (1-0-1), e o pensamento concentrado entre as sobrancelhas e/ou na ponta do nariz, simplesmente imaginemos estar, através do Éter Universal, ante a Divina Presença do ser objeto de nossa contemplação.
7. Coloquemos o pensamento entre as sobrancelhas, imaginando estar ante a presença Radiante desse Ser. Não há que se esforçar em visualizá-lo, deve se ter unicamente a impressão de estar, através do Éter Universal, ante sua Divina Presença.
8. Não há que se preocupar em rechaçar os pensamentos que chegam. Basta retomar o foco original, realizando a entrega  de nosso ser à proteção divina.

(Três toques suaves no gongo)

5. Prāṇāyāma: Preparação para a Nirguṇa Dhyāna (duração média: 5 min)

Sentados, em uma posição confortável, com a coluna ereta e o corpo totalmente relaxado, fechemos os nossos olhos e demais sentidos externos para nos perceber nos três movimentos respiratórios (inspiração, retenção e exalação) que delimitam a nossa interação com o TODO. Lembrando a metáfora dos dois pássaros, a ideia é voltar a nossa atenção para o nosso processo de individuação.

Neste prāṇāyāma, vamos inalar o ar por ambas as narinas, repetindo mentalmente:
(1) OM, uno-me ao Sopro Divino
Em seguida, vamos reter o alento, enquanto repetimos mentalmente:
(4) Namo, alegria, eu estou unido à essência do meu ser, de transcendente pureza, sabedoria e poder. Namo, namaḥ.
Por fim, vamos exalar o ar, repetindo mentalmente:
(1) Sauḥ, paz, não há separatividade.

As pessoas que sentirem qualquer dificuldade ou desconforto com a retenção do alento vital, podem continuar respirando normalmente, inspirando e exalando o ar pelas narinas de maneira bem tranquila e suave. Imaginando que estamos lentamente nos aproximando da divina presença, plenos de amor e alegria, iniciemos o Prāṇāyāma com a respiração suave, ritmada e sincronizada com a repetição mental, no tempo 1-4-1.

(1) OM, uno-me ao Sopro Divino
(4) Namo, alegria, eu estou unido à essência do meu ser, de transcendente pureza, sabedoria e poder. Namo, namaḥ.
(1) Sauḥ, paz, não há separatividade.

 (Três toques suaves no gongo)


 [Contagem do tempo: 20mim] 

6. Nirguṇa Dhyāna (Anāhata - Ātma Chakra) (duração média: 10 min)

Com o pensamento concentrado entre as sobrancelhas e/ou na ponta do nariz, contemplemos a pura e radiante centelha da vida que reside em nosso coração. Atentos ao ritmo suave da nossa própria respiração, contemplemos como ela nos dirige ao Anāhata,  o Chakra do coração, esta fonte de amor universal, radiante como a luz do sol, que se expande até a imensidão do infinito, envolvendo no mais puro AMOR a toda a criação.

(Três toques suaves no gongo)

[Contagem do tempo: 30 min] 

7. Śuddha Dhyāna (Sahasrāra - Estado de pura consciência, sem sujeito e objeto, OM) (15 min)

“Bhāvana”, a contemplação da Unidade:
Penso com amor que todas as coisas e seres hão nascido dentro do espírito universal,
Que a tudo compenetra e a tudo sustém em uma ordem constante e em vida eterna.
Penso com amor que todos os seres, tanto inferiores como superiores,
Participam de uma mesma vida e formam nos espaços infinitos um só corpo cósmico.

A Śuddha Dhyāna é a contemplação da causa primeira do cosmos, que a tudo deu origem. É a contemplação do instante anterior ao surgimento do universo, anterior ao big-bang e que no leva a afirmar que tudo, verdadeiramente é Brahman "Sarvam Tat Khalvidam Brahm".

Após termos nos recolhido para o interior de nós mesmos,  vamos agora, aos poucos, fazer cessar os movimentos da consciência, até que a batida do nosso coração vibre na frequência do OM, o ruído de fundo da radiação cósmica que deu origem ao universo.  OM é o som da manifestação cósmica de Brahman. É o som do universo em expansão e expressa a origem  de onde tudo surgiu.

Com o pensamento concentrado entre as sobrancelhas imaginemos, plenos de amor, do fundo do coração, que estamos entrando em sintonia com esta energia de onde surgiu o universo. Imaginemos que estamos atraindo pelo Chakra coronário, Sahasrāra, esta Energia Cósmica de Amor, a energia de BRAHMAN, conhecida como BRAHMA SHAKTI, que nos unifica ao transcendente Brahman, ou PARABRAHMAN. O PARABRAHMAN é o Sutra-Ātma-Cósmico que, como o fio de um colar, abarca, compenetra e transcende toda a finitude. Manifestando-se em todos os reinos -- mineral, vegetal, animal, humano e supra-humano como o Supremo Brilho da Consciência Cósmica – representa a fonte amorosa de onipotente poder de onde procedem todas as formas de Vida.

(Três toques suaves no gongo)

[Contagem do tempo: 45 min] 

8. Upasthāna (Trazendo à Memória em forma de Agradecimento Final): Saudação a Śrī Yoga Devī (5 min)


जितं ते परमेशानि नमस्ते शुद्धलक्षणे । (ŚRY 113)
jitaṁ te parameśāni namaste śuddhalakṣaṇe

योगदेवि नमस्तुभ्यं गच्छ सौम्ये यथासुखं  
yogadevi namastubhyaṁ gaccha saumye yathā-sukhaṁ.

Saudações a Ti oh Yoga Devi, possuidora de  suprema soberania e das mais refinadas qualidades divinas. Prostro-me ante Ti, suplicando que deixes a tua graça sobre nós pelo tempo que lhe agrade.

त्वत्प्रसादाज्जगत्सर्वं शुभमस्तुनिरामयं।  (ŚRY 114)
tvat-prasādājjagatsarvaṁ śubhamastu-nirāmayaṁ.***

दासाः सर्वेऽपि सुखिनः सन्तु कालः सुखावः।।
dāsāḥ sarve'pi sukhinaḥ santu kālaḥ sukhāvaḥ

Que por tua graça, todos os seres alcancem bem-estar, saúde e pureza integral. Que todos os Teus devotos servidores obtenham sempre felicidade e prosperidade.

शुद्धयोगब्रह्मविद्या वर्धतां त्वत्प्रसादतः। (ŚRY 115)
śuddha-yoga-brahma-vidyā vardhatāṁ tvat-prasādataḥ

बुद्धिमान्नितिमान्वाग्मी स्रीमान्स्यामखिलेस्वरः।।
buddhimān-nitimān-vāgmī srīmān-syāmakhilesvaraḥ

Que o conhecimento da Śuddha Yoga Brahma Vidyā, ou a sagrada ciência espiritual, prospere por tua divina graça. Infunde em nós força moral e uma claríssima inteligência para que as nossas palavras possam ser sempre agradáveis e úteis  e para que possamos  utilizar com dignidade todos os poderes a nós confiados.

*** "Nirāmaya" denota pureza integral, saúde e bem estar. Daí o sentido mais popular de "livre de toda a dor".

 OM     HRIM     ŚRIM     KLIM     AIM     SAUḤ
OM ŚRĪ YOGA DEVYAI NAMAḤ

Assim termina esta sagrada prática de meditação. Vamos agora nos dedicar, cheios de alegria, aos afazeres diários, pleno de confiança para enfrentar com êxito e sem medo todos os obstáculos que a vida nos apresentar.

Irradiemos amor e alegria a todos os seres, pronunciando três vezes a sagrada sílaba OM.

[Tempo de duração: 50 min]

(Três toques suaves no gongo)

OM TAT SAT

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2016
(Atualizado em 08.06.17)

(Śuddha Rāja Yoga)