Para a sua informação

Saṁjñā-artham, “para a sua informação”, esboço a seguir algumas linhas sobre a arquitetura e o enfoque metodológico deste blog.

A Arquitetura do Livro-Blog

A coluna da direita mostra (1) o Arquivo de Ilustrações do Diário (as postagens que aparecem na coluna da esquerda), (2) o Índice de Capítulos do Diário (os diversos blocos temáticos de páginas de conteúdo estático, acessíveis, em sua maioria, unicamente a partir desses links) e (3) a Lista de Publicações em outras plataformas.

Metodologia

Não trabalho diretamente com o conceito de religião (que é, basicamente, ocidental), prefiro a ideia de sagrado e, em especial, o conceito de espiritualidade, que se funda, diretamente, do entendimento do termo sânscrito "dharma". Meu olhar não é antropológico, nem sociológico e, por isto mesmo, não se prende ao fenômeno da religiosidade popular contemporânea. É filosófico e foi construído a partir da experiência pessoal com o sagrado, da práxis, bem como da análise textual de Escrituras Sagradas do período épico da Índia.

A tradição metafísica da Índia envolve mais de quatro mil anos de história e inclui diversos movimentos religiosos, modernamente agrupados em torno de termos tais como hinduísmo, budismo, jainismo, sikhismo e islamismo. O cenário filosófico-religioso da Índia é tão vasto que o tempo de uma vida não seria suficiente para uma pessoa conhecer, razoavelmente, todas as suas variadas características.

Há três textos básicos para se acessar a essência e o núcleo principal do pensamento que desenvolvo neste blog: a Bhagavad Gītā, os Yoga Sūtras de Patanjali, e o Bhodicaryavatāra de Santideva. A essência, o centro e o coração de toda a cultura védica e upanishádica está sintetizada na Bhagavad Gītā. O ancestral Yoga de que trata a Gītā, impossível, pela sua própria natureza, de ser sistematizado, foi, parcialmente, compilado por Patanjali nos Yoga Sūtras. Devido ao caráter destes dois textos, sua simples leitura crítica permite que se compreenda um pouco dos debates filosófico-religiosos originados pelos Vedas, Upaniṣads, etc., e que mais tarde iriam influenciar tanto o romantismo alemão, quanto o transcendentalismo norte-americano. Emerson, Thoreau, Aldous Huxley, Schelling, Schopenhauer, Nietzsche, Jung, Gandhi, Luther King, representam apenas algumas das personalidades, direta ou indiretamente, influenciadas por esta tradição oriental. Por fim, o Bhodicaryavatāra de Santideva representa a bem elaborada visão crítica do budismo indiano a esta mesma tradição representada pela Gītā e pelos Yoga Sūtras.

Os três textos enfatizam a importância de se cultivar a escuta interior, que é uma característica fundamental daquilo que  muitos têm chamado de  metodologia "from the inside out" (de dentro para fora). A partir do referencial teórico destes textos, busco compreender como a espiritualidade tem ressonância e relevância neste mundo contemporâneo, influenciando o trabalho de ativistas, filósofos, ambientalistas, artistas e cientistas e levando ao surgimento de movimentos e teorias sociais, organizados em torno de expressões como "Eco-dharma", "Eco-espiritualidade" e "Direitos Animais".

Interessam-me as teorias e os modelos constituídos a partir da metodologia "from the inside out", onde fica nítida a influência da literatura sagrada da Índia antiga sobre o ocidente. Neste blog, minha atenção estará voltada  para o desenvolvimento dos seguintes tópicos:
  • Do individualismo à consciência orgânica e sistêmica do processo de Individuação. 
  • A motivação impessoal como afirmação da pessoa humana.
  • Os pensamentos, os planos e as ideações como sementes da geografia do amanhã. 
  • A disposição para desmanchar as teias dos pensamentos sutis urdidos nas ações programadas com motivação de obter gratificação ilícita. 
O que esses tópicos têm em comum é a vinculação ao ideal de se "pensar globalmente e agir localmente",  segundo a metodologia "from the inside out", que orienta todo o processo de individuação. Enquanto não iniciamos este processo, somos conduzidos pelas leis gerais que orientam o comportamento dos grupos, em conformidade com os usos e costumes e a cultura. Não é simples transcender o instinto animal (funcionamento guṇa-para) de se regular pelo fisiologismo corporativista, oriundo da cultura de rebanho dos grupos,  para dar início ao processo de individuação (funcionamento ātma-para). Este se orienta pelo sentimento de participação em uma espécie de Consciência Universal, planetária, ecológica, holística e sistêmica que a todos nos regula de uma maneira, a um só tempo, unívoca e universal.

Próximo texto: Diário da Consciência (Śuddha Pañjikā)
Texto Inicial: Blog no ar sob a égide de "Śraddhā Quaerens Intellectum"

Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2016
(Atualizado em 12.06.17)
 (Saṁjñā-artham)

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